Voluntariado em Saúde


Enquanto estudante de Medicina, acredito que a aprendizagem desta
nobre profissão não pode, de forma alguma, descurar a sua vertente
humanística. Sabemos o que esperam os doentes dos seus futuros médicos
profissionais mais humanos, que os escutem com tempo e atenção, em quem
confiem e, sobretudo, que os apoiem nos momentos de maior fragilidade e
sofrimento.

Creio que o voluntariado, mais propriamente o voluntariado em Saúde,
é profundamente transformador. O contacto com os doentes numa
circunstância em que estamos exclusivamente preocupados com a pessoa,
e não apenas com a doença, marca o percurso dos estudantes que vivem
esta experiência.
Através de atividades de voluntariado, os estudantes de Medicina têm
o privilégio de dar o seu tempo aos doentes, às famílias e até mesmo aos
profissionais de saúde, contribuindo, de alguma forma, para melhorar a
estadia dos doentes no hospital.
O voluntariado é, essencialmente, a escuta dos doentes. Se, por um
lado, as histórias clínicas representam uma ferramenta-chave na formação
de um médico, as histórias que os doentes partilham com os voluntários,
estudantes de Medicina, quando deixamos de lado a bata branca, assumem
um papel decisivo na construção de um profissional de saúde de excelência.
Cada doente deixa no voluntário uma pequena marca e, particularmente no
estudante, uma marca que não pode ser aprendida nos livros. Aquilo que os
doentes nos transmitem, sejam histórias, sorrisos ou silêncios, são momentos
em que os estudantes podem perceber melhor a experiência do que é estar
doente. Conhecemos as suas histórias, os seus problemas, as suas alegrias
e as suas tristezas e saímos da cabeceira dos doentes enriquecidos por tudo
quanto vimos e ouvimos.

O voluntariado dinamizado pelos estudantes caracteriza-se por uma
energia que se renova todos os anos. O seu espírito de solidariedade é bem
visível e reinventa-se em tempos mais difíceis, como os que vivemos com a
pandemia, para contornar obstáculos, levando conforto e amor àqueles que
mais necessitam. Hoje, precisamos de trabalhar para que nos voltemos a
aproximar, ao cuidar das nossas relações interpessoais, a ver e a escutar os
outros – as pessoas, para além dos ecrãs.

As associações de estudantes de Medicina devem continuar a apostar
em oportunidades de voluntariado para os seus estudantes, conscientes de
que, para além de fazer a diferença na vida dos outros, o voluntariado é um
contributo de enorme relevância para a formação dos futuros profissionais de
saúde.

Ivo Palmeiro

Estudante de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Vogal da Direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de
Lisboa 2021/2022

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