Voluntariado de competências: dá o que fazes de melhor

Durante muito tempo, a ideia de voluntariado esteve associada à igreja e às voluntariosas mulheres, que se dedicavam às causas sociais executadas dentro daquele contexto, em muitos casos dentro dos hospitais. Era um conceito ligado à benevolência.

Esta ideia começou a mudar quando empresas notaram o potencial de mercado, e especialmente de marketing, que o voluntariado poderia ter. Assim, atualmente temos visto campanhas de empresas a reunir voluntários para pintar paredes ou plantar árvores. São, evidentemente, iniciativas louváveis, porém, ao mesmo tempo, demasiado pontuais e redutoras das capacidades que se juntam.

Isto é, os recursos e, especialmente os profissionais que ora pintam paredes, ora plantam árvores, poderiam ser melhor aproveitados se usados naquilo que fazem de melhor. Ou seja, um encarregado de obras é muito mais valioso numa iniciativa para remodelar uma creche do que um advogado, por exemplo.

No campo do Direito e da advocacia, inclusive, a falta de um voluntariado especializado contribui para um alto déficit no acesso à justiça. Ora, é sabido que o advogado é indispensável à administração da justiça. Todavia é igualmente sabido que consultar um advogado não é tarefa das mais simples, seja em razão dos altos custos dos honorários, seja porque os requisitos para aceder a um advogado patrocinado pelo Estado são por vezes demasiado cegos. Por isso nos soa indispensável a difusão de um conceito de advocacia solidária, ou, em outros termos, o exercício da advocacia pro bono.

Um bom exemplo desse sistema conjugado de ajuda social de que estamos a falar é aquele adotado pelos Estados Unidos da América. Há, dentro das grandes firmas de advogados, o fomento direto ao exercício da atividade pro bono — John Grisham vem nos contar essa realidade no romance “Street Lawyer” —, quando não obrigatório, como forma de manter advogados sensibilizados com as questões humanas e envolvido com a comunidade.

Cá em Portugal tentamos desafiar a todos os advogados e alunos de Direito com a participação na PRO BONO Portugal. Esta associação tem por objetivo intermediar a relação entre quem não tem poucos recursos e os advogados que querem atuam a título voluntário, perpassando pelo alunos de direito que têm a oportunidade de ajudar. É dizer, formamos, por meio do voluntariado de competências, uma cadeia de valores em que todos saem beneficiados.

Todavia, afora o exemplo com os advogados, é certo que a participação cívica e social é um fator importante, não só para construção de uma sociedade mais fraterna e coesa, como também para o desenvolvimento pessoal de cada ser envolvido.

Nesse sentido é que o voluntariado de competências deve ser uma ideia mais difundida, especialmente naquelas searas que a carência de serviços seja mais proeminente e que tenham profissionais dispostos a doar o seu tempo. Junta-te!

 Teresa Morais Leitão

PRO BONO

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